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O JULGAMENTO DE JESUS CRISTO: O maior erro judiciário da História

Atualizado: 30 de jan.

O julgamento de Jesus Cristo é amplamente considerado como uma das mais flagrantes injustiças da história, tanto do ponto de vista jurídico quanto ético. Para entender plenamente a natureza da injustiça, é importante considerar as questões jurídicas que estiveram em jogo durante sua prisão, condenação e execução.


Primeiramente, Jesus foi preso e julgado sem uma defesa adequada e as acusações contra ele não foram comprovadas. Além disso, há quem diga que o julgamento foi realizado por uma autoridade que não possuía competência para julgar um cidadão judaico.


Como resultado, muitos consideram o julgamento de Jesus como uma violação dos direitos humanos e uma clara violação do devido processo legal. Isso acabou levando a uma condenação e execução injusta e desumana.


Na época do julgamento de Jesus, o direito romano era a lei principal que governava a região da Judeia. No entanto, havia também leis judaicas que eram aplicadas em casos específicos.


Uma das principais questões jurídicas envolvidas no julgamento de Jesus foi a acusação de que ele se autointitulava o "Rei dos Judeus". Os líderes judaicos acreditavam que Jesus estava ameaçando sua autoridade e tentavam condená-lo por esse motivo. No entanto, essa acusação não tinha fundamento, pois Jesus nunca se proclamou rei e não estava tentando subverter a ordem estabelecida. Vejamos um trecho do interrogatório de Jesus, escrito no Evangelho de João[i] (Jo 18, 33b-37):


Naquele tempo: Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: 'Tu és o rei dos judeus?' Jesus respondeu: 'Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?' Pilatos falou: 'Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?'. Jesus respondeu: 'O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui'. Pilatos disse a Jesus: 'Então tu és rei?' Jesus respondeu: 'Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.


Como se vê, Jesus não fala de um reinado material, mas espiritual. A postura de humildade e simplicidade dele é totalmente inversa se comparada aos reis terrestres. Jesus não nega ser rei, mas não se trata de uma confissão da acusação, pois esta declaração não afeta em nada a ordem monárquica judaica.


É interessante notar que Jesus não tenta impugnar a acusação para escapar de uma possível pena. Os acusadores, ao revés, simplesmente não entendem a profundidade dos atos e ensinamentos de Jesus e tudo que buscam é um pretexto para a condenação.


Outra questão jurídica envolvida no julgamento de Jesus foi a acusação de blasfêmia. De acordo com as leis judaicas da época, era considerado um crime grave afirmar ser a encarnação de Deus.


No entanto, Jesus nunca afirmou ser Deus. Ele falava do Pai (Abba), se identificava como Filho de Deus. Seus ensinamentos e obras eram centrados em amor e compaixão. Os milagres e curas que realizava davam testemunho do Poder de Deus e não dele próprio. Portanto, a acusação de blasfêmia também não tinha nenhum fundamento.


Além dessas questões jurídicas, há também questões de direito pacíficas atualmente que foram ignoradas durante o julgamento de Jesus. Por exemplo, ele não teve a oportunidade de se defender em um processo formal, com as garantias do contraditório, presunção de inocência, imparcialidade do juiz etc.


A bem da verdade, Jesus de Nazaré foi acusado devido aos ciúmes e a inveja da classe religiosa que não suportava a Verdade e a mensagem do Reino de Deus para todos, sem hierarquias ou preconceitos. Foi morto por interpretar as escrituras sagradas de forma diferente, em linguagem simples e questionadora.


Para aprofundamento no assunto recomendo a leitura da Obra “O Julgamento de Jesus Cristo: sob a luz do direito” escrita pelo Professor Roberto Victor Pereira Ribeiro[ii].


Em síntese, o julgamento de Jesus Cristo foi uma grave injustiça porque ele foi acusado e condenado por motivos que não tinham fundamento jurídico. De modo que as questões jurídicas e de direito foram ignoradas e Jesus não teve a oportunidade de se defender adequadamente, mesmo se quisesse.


Embora o julgamento de Jesus tenha ocorrido há muito tempo, ainda é importante lembrar e refletir sobre esses eventos para entender a importância de seguir as leis e garantir a justiça para todos.


É importante notar que a injustiça do Julgamento de Jesus Cristo é um referencial para se evitar o erro judiciário. Não é em vão que os mais diversos tribunais ostentam um crucifixo em seus salões. É uma lembrança de que existem casos de pessoas que podem ser acusadas e condenadas de forma injusta.


Uma das maneiras de combater a injustiça é garantindo que todos tenham acesso a um processo justo e equitativo. Isso inclui assegurar que todas as pessoas tenham acesso a advogados competentes e que as acusações sejam baseadas em provas sólidas e não em preconceitos ou interesses pessoais.


Além disso, é importante lembrar que todas as pessoas têm direitos fundamentais, independentemente de suas crenças ou origens. O julgamento de Jesus é um lembrete de que precisamos lutar para garantir que esses direitos sejam respeitados e protegidos para todos.


Referências bibliográficas


[i] PASTORAL, BÍBLIA. Bíblia sagrada contendo o antigo e novo testamento. Tradução: Ivo Stomiolo e Euclides Martins Balancin. São Paulo: Paulus, 1990. [ii] RIBEIRO, Roberto Victor Pereira. O Julgamento de Jesus Cristo: sob a luz do direito. Ed. Pillares, 2010.

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