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OS 10 MANDAMENTOS DE EDUARDO COUTURE: um guia essencial para o bom exercício da Advocacia


Eduardo Couture, renomado advogado uruguaio, deixou um legado importante para a advocacia com sua obra "Os mandamentos do advogado", publicada em 1949. Embora tenha passado mais de sete décadas desde sua criação, esses mandamentos continuam plenamente atuais e são um guia essencial para a formação de advogados éticos e comprometidos com a justiça.




Os mandamentos de Couture são uma verdadeira inspiração para qualquer advogado, pois delineiam os valores e princípios que devem nortear a atuação do profissional. Dentre eles, destacam-se a ética, a humildade, a honestidade e a devoção à causa do cliente.


Cada um dos dez mandamentos é uma peça fundamental para a construção de uma advocacia verdadeiramente comprometida com a justiça e com a sociedade. Eles são um lembrete constante de que a profissão do advogado não é apenas um meio de ganhar a vida, mas também uma missão de servir à sociedade e garantir a aplicação da justiça.


Vejamos que, mesmo em um mundo em constante mudança, os mandamentos de Eduardo Couture permanecem atemporais e fundamentais para a formação de advogados que desejam atuar de forma ética e comprometida com o bem.


I. ESTUDA

O Direito está em constante transformação.

Se não o acompanha você será cada dia menos Advogado.


O advogado é um ser eternamente aprendiz, uma vez que o Direito é uma ciência em constante evolução. É fundamental que o profissional esteja sempre atento às mudanças e atualizações do Direito, para poder prestar um serviço de qualidade aos seus clientes e manter sua reputação no mercado.


Além disso, o estudo é também uma forma de acompanhar as transformações tecnológicas que estão acontecendo na área jurídica. Com a crescente automação e digitalização dos processos, o advogado precisa estar preparado para lidar com essas mudanças e tirar proveito delas em benefício de seus clientes.


Por isso, o primeiro mandamento de Eduardo Couture é crucial para a formação de um advogado completo e competente. A busca por conhecimento deve ser uma constante na vida do advogado, pois é apenas através da atualização constante que ele poderá desenvolver as habilidades necessárias para enfrentar os desafios da profissão.


Assim, o estudo é um processo contínuo e indispensável para o sucesso do advogado, que precisa estar sempre em busca de novos conhecimentos e aprimoramentos. Afinal, como dizia o próprio Couture, "o advogado é um homem de estudo, porque é um homem do Direito".


II. PENSA

O Direito se aprende estudando; porém, se pratica pensando.


O segundo mandamento de Eduardo Couture, "Pensa", é de suma importância para a atuação do advogado na prática jurídica. A habilidade de pensar é crucial para que o advogado possa analisar criticamente cada caso, encontrar soluções inovadoras e obter resultados mais eficientes.


Pensar é um processo que demanda esforço, atenção e criatividade por parte do advogado. Através do pensamento crítico, ele pode extrair informações relevantes de cada caso, compreender as necessidades do cliente e elaborar estratégias adequadas para alcançar seus objetivos.


Ao pensar de forma estratégica, o advogado é capaz de evitar que pequenos detalhes possam prejudicar o andamento de um caso. Além disso, consegue antecipar as possíveis objeções que podem ser levantadas pela outra parte, preparando-se melhor para enfrentar possíveis adversidades.


A habilidade de pensar também está intimamente relacionada com a capacidade do advogado de tomar decisões em momentos de pressão. Quando se depara com situações complexas e desafiadoras, o advogado deve ser capaz de pensar com clareza e rapidez, a fim de evitar prejuízos para seu cliente e garantir a eficiência de sua atuação.


Portanto, pensar é uma habilidade essencial que permite que o advogado se destaque em sua profissão. Ao pensar de forma estratégica, crítica e criativa, ele pode alcançar resultados mais eficazes e se consolidar como um profissional de excelência na área jurídica.


III. TRABALHA

A advocacia é uma fatigante e árdua atividade posta a serviço da Justiça.


A vida é uma jornada repleta de desafios e oportunidades, e a advocacia não é diferente. Para ser bem-sucedido nesta profissão, é preciso ter paixão, dedicação e trabalho árduo. Mas, acima de tudo, é preciso ter coragem para enfrentar as adversidades e perseverança para não desistir diante dos obstáculos.


O terceiro mandamento de Eduardo Couture, "Trabalha", é um aviso importante da natureza árdua e exigente da profissão de advogado. A advocacia é uma carreira que demanda muita dedicação e esforço, e é através do trabalho árduo que o advogado pode garantir a justiça aos seus clientes.


A dedicação é uma característica essencial na advocacia, pois é ela que permite que o advogado esteja sempre buscando o melhor para seus clientes. O trabalho árduo é uma parte inerente da profissão, e é através dele que o advogado pode se destacar em sua área de atuação, estabelecendo uma reputação de excelência e eficiência.


Além disso, o terceiro mandamento também é uma lembrança da grande responsabilidade que o advogado tem em relação aos seus clientes. O trabalho árduo é importante para garantir que o advogado esteja sempre preparado para enfrentar os desafios que surgem em cada caso, protegendo os interesses de seus clientes da melhor forma possível.


Assim, trabalhar arduamente é fundamental para que o advogado possa cumprir com sua missão de servir à justiça e aos seus clientes. Somente através do trabalho árduo e da dedicação constante é que o advogado pode garantir a defesa dos direitos e interesses de seus clientes.


IV. LUTA

O seu dever é lutar pelo Direito; porém, quando encontrar o Direito em conflito com a Justiça, lute pela Justiça.


O quarto mandamento de Eduardo Couture, "Luta", é uma importante recordação da natureza combativa e corajosa da advocacia. O advogado deve lutar pelo Direito, defendendo os interesses de seus clientes. No entanto, essa luta não deve ser feita de forma egoísta ou injusta.


Ao lutar, o advogado deve sempre buscar a justiça e a equidade em suas batalhas. Ele deve se empenhar em defender os direitos do seu cliente, mas deve ter sempre em mente que a justiça é o objetivo final e deve ser alcançada de forma ética e justa.


O quarto mandamento também é uma importante reflexão sobre a responsabilidade que o advogado tem em relação à sociedade como um todo. Ao lutar pelo Direito, o advogado está contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, defendendo os direitos dos mais vulneráveis e lutando contra a injustiça e a desigualdade.


A luta na advocacia também exige coragem e determinação. O advogado deve estar disposto a enfrentar os desafios que surgem em cada caso, defendendo os direitos do seu cliente de forma incansável. É preciso ter coragem para enfrentar as adversidades, perseverando mesmo quando as coisas parecem difíceis ou impossíveis.


Mas a luta na advocacia também deve ser pautada pela ética e pelo respeito. O advogado deve lutar pelos direitos do seu cliente, mas sempre dentro dos limites éticos e legais. É preciso defender os interesses do seu cliente de forma justa e equilibrada, sem prejudicar a outra parte ou a sociedade como um todo.


Assim, o quarto mandamento de Eduardo Couture é uma importante reflexão sobre a natureza combativa e corajosa da advocacia, mas também da responsabilidade ética que o advogado tem em relação à sociedade.


Ao lutar pelo Direito de forma justa e ética, o advogado contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, defendendo os direitos e interesses de seus clientes de forma incansável.


V. SÊ LEAL

Leal para com o cliente, a quem não deve abandonar a não ser que perceba que ele é indigno do seu patrocínio. Leal para com o adversário, ainda quando ele seja desleal consigo. Leal para com o Juiz que ignora os fatos e deve confiar no que você lhe diz; e que, mesmo quanto ao Direito, às vezes tem de confiar no que você lhe invoca.


Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações humanas na sociedade contemporânea são caracterizadas pela liquidez, ou seja, são efêmeras, voláteis e instáveis. No entanto, o quinto mandamento de Eduardo Couture, "Sê Leal", nos lembra da importância da lealdade em meio a essa liquidez das relações.


Na advocacia, a lealdade é uma virtude fundamental que deve ser cultivada e aprimorada pelo advogado em sua prática profissional. A lealdade exige comprometimento com os interesses do cliente, mas sempre dentro dos limites da ética e da justiça.


A lealdade na advocacia se estende não apenas ao cliente, mas também ao adversário e ao juiz. O advogado deve ser leal ao seu cliente, dedicando-se aos seus interesses e trabalhando arduamente para protegê-los. Mas ele também deve ser leal para com o adversário, agindo de forma justa e ética em todas as suas ações.


Além disso, a lealdade exige que o advogado esteja comprometido com a verdade. Ele deve ser leal com o seu cliente, informando-o sobre as reais chances de sucesso em cada caso. Da mesma forma, ele deve ser leal com o juiz, apresentando apenas informações verdadeiras e precisas em cada caso.


A lealdade na advocacia também é um reflexo da responsabilidade social que o advogado tem em relação à sociedade como um todo. Ao ser leal em sua prática profissional, o advogado contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde a ética e a justiça são valorizadas acima de tudo. Em meio a essa liquidez das relações na sociedade contemporânea, a lealdade é uma âncora importante que nos mantém firmes e comprometidos com o bem comum.


VI. TOLERA

Tolere a verdade alheia como gostaria que a sua fosse tolerada.


O sexto mandamento de Eduardo Couture, "Tolera", é um convite à prática da tolerância na advocacia. A tolerância é uma virtude que permite ao advogado respeitar as opiniões divergentes e buscar soluções justas e equilibradas para todos os envolvidos em um caso.


Na advocacia, a tolerância é importante porque permite ao advogado ter uma visão ampla e abrangente sobre os casos que enfrenta. Ao ser tolerante com as opiniões divergentes, o advogado pode analisar cada caso de forma imparcial e buscar soluções justas e equilibradas para todas as partes envolvidas.


A tolerância também é fundamental porque permite ao advogado ser um mediador de conflitos, buscando soluções consensuais para os problemas enfrentados pelos seus clientes. Através da tolerância, o advogado pode ajudar as partes envolvidas a chegar a um acordo justo, evitando assim a escalada do conflito e o desgaste emocional e financeiro que isso pode acarretar.


Além disso, a tolerância também está relacionada com a ética profissional. Ao ser tolerante com as opiniões divergentes, o advogado está demonstrando um compromisso com a ética e a justiça, buscando sempre soluções justas e equilibradas para todos os envolvidos.


Por fim, a tolerância é uma virtude que deve ser cultivada e aprimorada pelo advogado ao longo de sua carreira. É através da tolerância que o advogado pode contribuir para a construção de uma sociedade onde o diálogo e o respeito mútuo são valorizados acima de tudo.


Assim, o sexto mandamento de Eduardo Couture é um convite à prática da tolerância na advocacia, uma virtude fundamental que permite ao advogado ter uma visão ampla e abrangente sobre os casos que enfrenta, ser um mediador de conflitos e buscar soluções justas e equilibradas para todos os envolvidos.


VII.TEM PACIÊNCIA

O tempo vinga-se das coisas que se fazem sem a sua colaboração.


A paciência é uma virtude, como bem afirmou o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau: "A paciência é amarga, mas seu fruto é doce". Kant disse que "A paciência é a fortaleza do fraco e a impaciência, a fraqueza do forte”. Estas máximas podem ser aplicadas à advocacia, onde a paciência é fundamental para enfrentar as adversidades que surgem em cada caso.


Na advocacia, a paciência é importante porque permite ao advogado manter a calma e a serenidade em momentos de pressão e estresse. É comum que os processos jurídicos sejam demorados e complexos, exigindo do advogado uma grande dose de paciência em cada etapa do processo.


A paciência permite que o advogado busque soluções justas e equilibradas em cada caso, sem se deixar levar pelas emoções. A paciência é fundamental para que o advogado mantenha a objetividade e a imparcialidade em sua atuação, respeitando sempre a verdade e a justiça.


Tal virtude permite que o advogado lide com a complexidade da profissão de forma tranquila e metódica, sem se deixar afetar pelas emoções e frustrações que frequentemente acompanham a advocacia.


Diria que a paciência também é fundamental para a construção de relacionamentos sólidos e duradouros com os clientes. Os clientes frequentemente estão em situações de estresse e incerteza, e cabe ao advogado ser um ouvinte paciente e compreensivo, oferecendo orientação e conselhos de forma clara e tranquila.


Portanto, um advogado que é capaz de manter a paciência e a calma em todos os momentos é um advogado sábio que é valorizado pelos clientes, colegas e por toda a sociedade.


Em síntese, a paciência é uma habilidade fundamental para um advogado bem-sucedido. Ela permite que ele lide com a complexidade dos processos de forma tranquila e metódica, sem se deixar afetar pelas emoções e frustrações.


VIII. TEM FÉ

É necessário ter fé na ordem, paz, liberdade e na justiça.


O oitavo mandamento de Eduardo Couture, "Tem Fé", é um lembrete da importância da fé na advocacia. A fé é uma virtude que permite ao advogado acreditar no Direito como instrumento para a convivência humana, na Justiça como destino natural do Direito, na Paz como substituto bondoso da Justiça e, principalmente, na Liberdade, sem a qual não há Direito, Justiça e Paz.


A fé é importante na advocacia porque dá ao advogado a força e a coragem para lutar pelo que é certo, mesmo quando as coisas parecem difíceis. É comum que os advogados enfrentem situações difíceis, como processos complexos, clientes que passam por momentos difíceis ou adversários agressivos. A fé permite que o advogado mantenha a esperança e a confiança em um futuro melhor, buscando sempre soluções justas e equilibradas.


A fé permite que o advogado tenha um compromisso com o bem-estar social, buscando sempre soluções justas e equilibradas que possam contribuir para a construção de um mundo melhor e mais justo.


Dessa forma, o oitavo mandamento de Eduardo Couture, "Tem Fé", é uma observação sobre a importância da fé na advocacia, a qual permite ao advogado acreditar no Direito como instrumento para a convivência humana,


IX. ESQUEÇA

A advocacia é uma luta de paixões. Se em cada batalha fores carregando tua alma de rancor, sobrevirá o dia em que a vida será impossível para ti. Concluído o combate, olvida tão prontamente tua vitória como tua derrota.


Esquecer as emoções negativas é fundamental para o advogado manter sua sanidade mental e sua eficiência profissional. Se ele carrega a alma de rancor em cada batalha, isso pode prejudicar sua saúde física e emocional, além de comprometer sua capacidade de atuar de forma justa e imparcial.


O nono mandamento de Couture, "Olvida", é uma mensagem inspiradora para os advogados. Após cada batalha, o advogado deve esquecer prontamente tanto sua vitória quanto sua derrota, abandonando as emoções negativas. Ele deve seguir em frente, buscando sempre soluções justas e equilibradas para todos os envolvidos.


Esquecer as emoções negativas é um processo que exige esforço e comprometimento por parte do advogado. Mas é essencial para que ele possa manter sua sanidade mental e sua eficiência profissional.


Por outro lado, Couture exorta para o esquecimento das vitórias, encorajando o advogado manter a humildade e evitar a arrogância. É natural que os advogados se sintam orgulhosos de suas vitórias. No entanto, é importante que eles se lembrem de que essas vitórias também são passageiras.


Além disso, o esquecimento das vitórias favorece que o advogado se concentre no futuro e em novos desafios, ao invés de se apegar ao passado. Ao deixar de lado suas vitórias anteriores, o advogado está abrindo espaço para novas conquistas e aprendizados, mantendo-se sempre motivado e focado em sua carreira.


X. AMA A TUA PROFISSÃO

Trata de conceber a advocacia de tal maneira que no dia em que teu filho te pedir conselhos sobre seu destino ou futuro, consideres uma honra para ti propor-lhe que se faça advogado.


Já o décimo mandamento, "Ama a tua profissão", é um lembrete da importância de amar e se dedicar à advocacia. Como pai de uma linda filha de sete anos chamada Isabela, sou um apaixonado pela advocacia e acredito que é uma profissão nobre, que permite ao advogado contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.


Como pai, espero que no futuro, quando minha filha Isabela crescer e pensar em seu futuro profissional, ela considere a advocacia como uma opção honrosa e gratificante. E que eu possa ter a honra de aconselhá-la e incentivá-la a seguir essa nobre profissão, lembrando sempre dos 10 mandamentos de Eduardo Couture.


Certamente, ela sempre terá a referência de um advogado dedicado e comprometido com os valores éticos e morais da profissão, que busca sempre soluções justas e equilibradas para seus clientes e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Independentemente da profissão que ela escolher, terá um exemplo a seguir e um pai orgulhoso que a apoia em suas escolhas.


Os 10 mandamentos de Eduardo Couture são uma verdadeira fonte de inspiração e guia para todos os advogados, sejam eles iniciantes ou experientes. Eles ressaltam a importância de valores como ética, justiça, liberdade, paciência, fé, lealdade, tolerância, trabalho, luta e estudo, que devem estar presentes em cada ação do advogado.


Esses mandamentos nos lembram que a advocacia é uma profissão que exige muita dedicação, compromisso e respeito aos valores superiores. Eles são uma fonte de inspiração para que os advogados sejam sempre os melhores profissionais possíveis, buscando sempre soluções justas e equilibradas para seus clientes e contribuindo para a construção de um mundo mais justo.


Referencias:


COUTURE, Eduardo J. Los mandamientos del abogado. UNAM, 2003.

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